Frei Teodósio Florentini

Introdução

frei selo

Frei Teodósio Florentini foi um grande apóstolo da caridade, da cultura cristã e da justiça social. Nasceu na Suíça, no Cantão dos Grisões, no vale de Münster. Entrou para a Ordem dos Frades Menores Capuchinhos aos 17 anos de idade e aos vinte e dois, foi ordenado sacerdote. Por sua atuação, foi condenado injustamente como revolucionário e teve a cabeça colocada a prêmio: seiscentos francos suíços. Incentivado por seus confrades, fugiu e depois de anistiado, retornou e fundou uma Congregação religiosa, construiu escolas, hospitais, asilos. Também adquiriu fábricas visando: dar trabalho aos operários, cristianizar o ambiente industrial; destinar recursos da indústria às obras sociais e conseguir uma mais justa distribuição dos lucros.

Algo de sua vida

 Frei Teodósio nasceu aos 23/05/1808, em Münster, no Cantão dos Grisões, Suíça e seu nome de batismo era Anton Crispim. Da casa do freimãe, Maria Anna, Anton herdou o temperamento enérgico, o espírito incansável e uma força de vontade e coragem que o permitiu doar sua vida para o serviço do Reino de Deus.

Nosso Apóstolo da Caridade ficou órfão de pai aos oito anos de idade. Com a morte do Sr. Paul Florintöni, a formação estudantil do inteligente menino foi garantida por um de seus irmãos mais velhos e por um tio, ambos religiosos. Os dois se empenharam para que o jovem continuasse firme a vida escolar, pois no início a falta de vigilância e a superficialidade juvenil fez com que seus estudos não fossem coroados de sucesso.  Ele estudou alemão, latim, retórica, filosofia e física.

Assim ele descreve como chegou a decisão de ser um sacerdote religioso: “No ano de 1825, eu estava com 17 anos, devia entrar no Curso de Teologia em Coira. As circunstâncias ali não me agradavam. Eu queria, sem dizer nada a ninguém, ir para Solothurn. Se não fosse possível, iria estudar em qualquer outra cidade. Não pensava em ser Capuchinho. Na minha viagem para Solothurn passei em Baden. Fui ver o túmulo do meu irmão, Frei Florian, que faleceu de tifo no ano de 1822. Nesta hora tomei a decisão de entrar na Ordem dos Capuchinhos e a realizei dentro de quinze dias.”

 

No convento, recebeu o nome de Teodósio. Fez seus primeiros Votos, na cidade de Sitten, se comprometendo com Jesus a viver em Pobreza, Castidade e Obediência. Terminou os estudos de teologia no ano de 1829.  Depois continuou estudando por própria conta. Após um ano deste estudo particular, foi ordenado sacerdote no dia 25/10/1830 e iniciou o seu trabalho apostólico. Os Superiores lhe confiaram o papel de formador no convento em Solothurn. Tinha, então, de introduzir jovens confrades na vida religiosa. Um ano depois, foi transferido para o convento em Baden. Ali tinha a mesma tarefa. Em 1838, foi nomeado superior deste Convento e, ao mesmo tempo, foi diretor espiritual das Irmãs Capuchinhas, no Convento Maria Krönung ( Coroação de Maria), na mesma cidade de Baden. Ali, elaborou o programa de uma Congregação de Irmãs para atuarem nas difíceis realidades de seu tempo: “Preciso de Irmãs que entendam a cruz, com elas consigo tudo”.

Muito preocupado, por primeiro, com a formação escolar das crianças decidiu escrever tratados e artigos sobre o tema para que a população fosse esclarecida e o debate ampliado, mas não só escrever, também agir. Ele não se contentava em ver os problemas, mas precisava encontrar-lhes uma solução. Por isso ele professa: “A necessidade do tempo é a vontade de Deus”. E durante sua vida fez deste lema seu programa de vida.  Assim, esboça um plano para ajudar o reerguimento espiritual, cultural e também econômico de seu país.

Em janeiro de 1841, por causa de uma ação popular tentando impedir o fechamento do Convento Maria Krönung, ele é duramente perseguido e injustamente condenado, como “revolucionário”, a quatro anos de prisão e exílio perpétuo. Por conta desta condenação as autoridades colocaram um prêmio por sua cabeça: 600 francos. Por influência e ajuda de amigos e de seus confrades ele decidiu fugir. Ficou três meses fora e neste tempo em que ficou foragido, escreveu as Constituições para a congregação que desejava fundar.

Na Páscoa deste mesmo ano de 1841, depois de decretada sua anistia, pois reconheceram que ele era inocente, retorna e funda a Congregação das Irmãs do Ensino de Menzingen. As primeiras Irmãs professoras receberam dele mesmo, a formação pedagógica. Com seus novos métodos na educação, ele entrou para a história da pedagogia europeia. Mais de uma vez afirmou: “Enquanto houver um jovem necessitado, não posso pensar em mim.”

As outras necessidades do tempo também o incomodavam: a indignidade com que eram tratados os operários e especialmente as mulheres e crianças nas fábricas, o abandono dos idosos, a falta de cuidado adequado com os doentes, nada escapava ao seu zelo cristão. Por isso, decide expandir as atividades das Irmãs e encontra na jovem Irmã Maria Teresa Scherer uma parceira perfeita para tais empreendimentos. Surge, então, um ramo novo para a Congregação que fundara: as Irmãs de Caridade da Santa Cruz, cuja Casa Mãe foi edificada em Ingenbohl e que assumem funções em diferentes atividades caritativas: asilos para idosos; casas para órfãos; pensionatos; seminário para formação de professoras e enfermeiras; prisões; e hospitais. Este incansável capuchinho também adentrou no ramo das indústrias.

Em meio a todas estas atividades foi também Vigário Geral da Diocese de Coira, tomou parte na fundação da Associação do Livro, além de dar largas a sua intensa atividade de escritor.

Em 1863, discursou em Frankfurt sobre a questão operária e criou o Programa para Desenvolvimento de Proteção a Aprendizes e Escolas Profissionais. Ele via os infortúnios e injustiças do operariado no início do século XIX: jornada de trabalho de 12 horas ou mais, mão de obra infantil explorada a extremos, condições de sub emprego, entre outras indignidades morais. Contudo, ele não estava convencido de que os males eram inerentes ao sistema como tal. Acreditava que a indústria e o comércio podiam ser cristianizados, pudessem agregar valores que salvaguardassem a dignidade da pessoa, onde: os funcionários pudessem ter participação nos lucros; os pobres encontrassem trabalho e salário; o lucro pudesse ser utilizado para obras sociais; as crianças tivessem horário suficiente de estudo e recreação e as mulheres fossem tradadas com respeito à sua condição.  Assim, em Coira ele fez uma tentativa, de início bem sucedida, adquirindo a micro empresa em Ingenbohl, o Paraíso, onde instalou 30 teares, a fábrica de tecido em Oberleutendorf e uma fábrica de papel em Thal.  Contudo com a resistência da poderosa concorrência não-cristã associada ao despreparo das pessoas que assumiram a direção, essas fábricas terminaram por falir.

Na tentativa de levar adiante tantos empreendimentos nosso revolucionário Frei partiu para coletar dinheiro e ajuda nos países vizinhos. Em uma dessas viagens na localidade de Heiden, faleceu, vítima de um Acidente Vascular Cerebral. Dias antes de sua morte visitara o Orfanato de Tablat, onde as Irmãs trabalhavam. Ali, se alegrou por estar entre aqueles que representavam sua luta permanente: as Irmãs, os pobres e as crianças. Na antevéspera pernoitou no Convento de seus confrades capuchinhos, onde se confessou. Na véspera, foi homenageado pelo Coral Masculino Protestante e perto da meia noite, escreveu na agenda do Diretor do Coral seu último legado, a citação de Santo Agostinho: “No necessário unidade, na dúvida, liberdade e em tudo o amor”.  Na manhã seguinte, enquanto rezava a Liturgia das Horas sentiu-se mal. Depois de lutar contra a morte, por um dia e uma noite, faleceu no dia 15/02/1865. Hoje seus restos mortais repousam no Convento das Irmãs em Ingenbohl.

 

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